domingo, maio 22, 2011

Vale a pena estudar?

Por Nelson José de Camargo*

Uma reflexão sobre o momento atual leva inevitavelmente a um questionamento: vale a pena estudar? Afinal, algumas das pessoas mais bem-sucedidas de nosso país não se destacaram pelo conhecimento que adquiriram nos bancos escolares. Poderíamos citar artistas, jogadores de futebol, políticos e personalidades de várias áreas e atividades.

O jovem de hoje pode tomar algumas dessas personalidades como modelos para justificar sua aversão à leitura e ao estudo. Perder tempo com livros é coisa de otário, de alguém que nunca alcançará o sucesso. O que se consegue com um diploma universitário: um emprego mal remunerado, sem “prestígio”. Afinal, o importante não é “ser”, mas “ter”.

Se o importante é acumular bens, valores como solidariedade, ética e respeito são “antiquados”, não fazem parte do mundo “moderno e globalizado”.

Podemos dizer que essa constatação é verdadeira. Afinal, um jogador de futebol pode ganhar muito mais que um engenheiro. Uma modelo que usa suas belas formas (por vezes auxiliada por cirurgias estéticas) será certamente mais bem-sucedida (financeiramente) do que uma professora. Um político pode se orgulhar da própria ignorância, e até dizer que “ler dá sono”, se conseguir agradar ao povo.

E o que é agradar ao povo? É promover o crescimento econômico, facilitar o crédito, inserir a maioria da população na “classe média” que pode comprar automóveis, televisores de alta definição, celulares cada vez mais sofisticados, tudo em suaves prestações. E a educação, como fica? Ora, ela não tem maior importância, é apenas um capricho de gente esquisita, que deixa de aproveitar as boas coisas da vida para perder tempo em meio a livros empoeirados em bibliotecas bolorentas.

domingo, maio 15, 2011

Libertinagem Feminina em Onfray


Por Helena Novais*

Uma amiga que passou por aqui, se disse surpresa com a minha adesão à proposta de uma libertinagem feminina feita pelo filósofo francês Michel Onfray, sendo eu tão “comportada”. De imediato me lembrei de alguém que na ocasião de minha visita à Escola Florestan Fernandes, disse ter eu “jeito de Irmã ”, ou seja, me confundiu com uma freira.

Bom registrar que não sou nem uma coisa nem outra, nem freira e nem libertina (rs). Apenas faço o possível para ser boa estudante, futura filósofa produtiva e atuante (e isso não depende apenas de terminar o curso), ser humano feliz e em constante evolução.

Considero o ponto de vista do Onfray, um feminino libertino, como objeto de reflexão filosófica. Estou longe de acreditar que “libertinagem” seja garantia de felicidade ou que seja estado ideal do feminino. Acredito, sim, que a máxima “conhece a ti mesmo” é uma boa orientadora do comportamento pessoal, que deve se reger de acordo com características individuais.

sábado, maio 14, 2011

Quase Trinta

Sobre a idade
Por Marcelo Cajui*

Ainda não alcancei os trinta. Sinto-me bem assim e preferia que minha idade mental parasse por aqui. Nem muito maduro, nem irresponsável. No ponto limite entre emoção (em primeiro lugar) e razão.
Prefiro selecionar as tarefas para realizar no próprio dia de execução. Em paradoxo com esta colocação, eu mantenho uma agenda de datas. Não sei se isto se trata de um sentimento individual. Quase todos passaram, estão passando, ou ainda vão passar por isto.

O balanço que sentimos até os trinta é muito especial. Nesta fase penso: “vou assumir uma posição social?”, ou: “Permanecerei na vida de incertezas?”. Esta dúvida parece me levar pro caminho das ‘decisões certas’. Aquelas que criam o desejo de eternizar pequenos momentos e transformar fatos corriqueiros em situações fantásticas.

Não nos julguemos tanto homens de quase trinta (hipocrisia da minha parte, pois me julgo o tempo inteiro). Somos o que somos, mostramos claramente isto. Com exceção dos covardes, estes não merecem créditos neste texto. Falo aqui para os lutadores. Aqueles que reconhecemos por um simples e-mail recebido. Nesta prosa pretendo brindar à idade, pois ela existe apenas na cabeça. Os ‘quase trinta’ são metafóricos.

Tratamento ético aos animais

Por André Ricardo Pontes*

Você come carne ou ovos? Se sim, sabe qual a origem deste alimento? O animal que você estará saboreando no almoço teve uma vida o mais próximo do natural possível? Ou viveu apenas 6 meses, confinado, torturado, com uma lâmpada na cara que fica acesa por 6 horas seguidas, depois apagada 6 horas seguidas, simulando um dia e uma noite na metade do tempo, de modo a forçar o animal a pôr ovos na metade do tempo?

No mundo todo, principalmente em países com pouco espaço, há pecuária realizada por meio do confinamento. Os bois e vacas são mantidos em pequenos currais, onde não podem andar, correr, manter laços com outros de sua espécie, comer pastagens naturais. São forçados a comer a mesma ração no tempo arbitrariamente determinado. São tratados como máquinas. Imaginem uma vida assim. Pensem nos escravos. Um absurdo que isso tenha existido no Brasil, não? Pois então, a vida deles era melhor do que a vida a que são submetidos muitos animais. Mas, no caso do Brasil, isso praticamente não existe. O gado bovino é criado quase exclusivamente de forma extensiva, ou seja, os animais são soltos, comem pastagem. Por isso, quero me dedicar mais às aves, que, no caso do Brasil, são os animais que sofrem mais (e, numa escala de sofrimento, os porcos vêm em segundo lugar).

domingo, maio 01, 2011

O Brasil é uma democracia?

Por Nelson José de Camargo*

A palavra democracia significa “governo do povo”. Era usada para designar o sistema político de Atenas no período clássico, no qual os cidadãos atenienses, do sexo masculino e maiores de 18 anos, reuniam-se na Ágora para participar das decisões sobre o governo da cidade.

Hoje em dia, o governo de Atenas não seria considerado democrático, pois excluía da participação política mulheres, estrangeiros e escravos, ou seja, a maioria da população.

Para Aristóteles, havia três principais formas de governo: a monarquia, na qual o poder é exercido por uma só pessoa, o monarca; a aristocracia, na qual o governo está a cargo da elite (intelectual, financeira, agrária, etc.); e a democracia, no qual o poder é exercido diretamente pelo povo. Para o filósofo grego, as três formas de governo poderiam ser boas e justas, mas todas as três poderiam se transformar em formas degeneradas: a monarquia, se exercida por um rei injusto, se transforma em tirania; a aristocracia, ao privilegiar uma pequena elite, se transforma em oligarquia (governo de poucos); e a democracia pode se transformar em anarquia, isto é, ausência de governo, o que significa o caos e a desorganização política.