
O jovem de hoje pode tomar algumas dessas personalidades como modelos para justificar sua aversão à leitura e ao estudo. Perder tempo com livros é coisa de otário, de alguém que nunca alcançará o sucesso. O que se consegue com um diploma universitário: um emprego mal remunerado, sem “prestígio”. Afinal, o importante não é “ser”, mas “ter”.
Se o importante é acumular bens, valores como solidariedade, ética e respeito são “antiquados”, não fazem parte do mundo “moderno e globalizado”.
Podemos dizer que essa constatação é verdadeira. Afinal, um jogador de futebol pode ganhar muito mais que um engenheiro. Uma modelo que usa suas belas formas (por vezes auxiliada por cirurgias estéticas) será certamente mais bem-sucedida (financeiramente) do que uma professora. Um político pode se orgulhar da própria ignorância, e até dizer que “ler dá sono”, se conseguir agradar ao povo.
E o que é agradar ao povo? É promover o crescimento econômico, facilitar o crédito, inserir a maioria da população na “classe média” que pode comprar automóveis, televisores de alta definição, celulares cada vez mais sofisticados, tudo em suaves prestações. E a educação, como fica? Ora, ela não tem maior importância, é apenas um capricho de gente esquisita, que deixa de aproveitar as boas coisas da vida para perder tempo em meio a livros empoeirados em bibliotecas bolorentas.