Por Hailton Santos
Nesse texto[1] Sartre responde às críticas dirigidas ao existencialismo advindas, principalmente, dos marxistas e dos católicos.
A crítica marxista diz que o existencialismo leva as pessoas a uma filosofia contemplativa devido à inacessibilidade de suas soluções. Com efeito, o existencialismo não passa de uma filosofia burguesa.
Já os católicos acusam o existencialismo de negligenciar certas coisas belas e alegres da natureza humana, como o sorriso da criança, por exemplo. A crítica cristã diz que se suprirmos os mandamentos de Deus e os valores inscritos na eternidade, não resta mais que a estrita gratuidade, e cada um poderá fazer o que quiser.
Segundo Sartre, a essência de toda crítica, é que o existencialismo acentua o lado ruim da vida humana. No entanto, diz Sartre: “as mesmas pessoas que adoram canções realistas são aquelas que reclamam que o existencialismo é muito sombrio, a tal ponto de eu me perguntar se eles não estão se queixando mais do otimismo do existencialismo do que, na verdade, de seu pessimismo”.[2]
Assim, a doutrina existencialista parte, inicialmente, da subjetividade, ou seja, da noção de que a existência precede a essência. De acordo com o autor, somente nos objetos da técnica a essência precede a existência. A exemplo do corta-papel, cujo conjunto de procedimentos que permite produzi-lo e defini-lo precede sua existência. Nesse sentido, o conceito “homem” segue os mesmos preceitos, ou seja, um conjunto de regras (essência) atribuídas ao homem que precede ao “animal homem”. Para o autor, esse conjunto de regras está em desacordo com a verdade histórica com que nos deparamos.[3]
domingo, janeiro 22, 2012
O existencialismo é um humanismo
Marcadores:
Filosofia
Sina
Por Ana Lucia Sorrentino*

Vi meu sangue correndo no roxo das veias,
sob a pele tão branca, tão transparente,
e tive dó de tanta fragilidade.
Os homens não têm sido mais
do que ilusões de homens.
Parece-me, afinal,
que pouca gente existe de verdade.
Contorço-me, circense,
sobrevivendo num mundo
onde impera a falsidade.
Desejo intensamente o distante.
Desisti de esperar do próximo proximidade.
Pago caro, todos os dias,
a conta alta que me apresenta
o vício da liberdade.
Resistente, me nego à hipocrisia.
Entrego-me, então, à mais fiel amante:
minha doce amiga Solidão.
Analú

Vi meu sangue correndo no roxo das veias,
sob a pele tão branca, tão transparente,
e tive dó de tanta fragilidade.
Os homens não têm sido mais
do que ilusões de homens.
Parece-me, afinal,
que pouca gente existe de verdade.
Contorço-me, circense,
sobrevivendo num mundo
onde impera a falsidade.
Desejo intensamente o distante.
Desisti de esperar do próximo proximidade.
Pago caro, todos os dias,
a conta alta que me apresenta
o vício da liberdade.
Resistente, me nego à hipocrisia.
Entrego-me, então, à mais fiel amante:
minha doce amiga Solidão.
Analú
Do blog: http://reencontrandosuaalma.blogspot.com/2012/01/sina.html
*Ana Lucia Sorrentino é Escritora e estudante no curso de Filosofia da Universidade São Judas Tadeu
sábado, janeiro 21, 2012
O que é a filosofia?
Por Nelson José de Camargo*
A filosofia voltou a fazer parte do currículo do ensino médio. Mas para que servirá? Talvez para doutrinar nossos estudantes com ideias pseudomarxistas retrógadas. Ou nossos estudantes terão apenas um “panorama” dos principais filósofos?
Kant já disse que não se ensina filosofia, mas a filosofar. Mas o que é ensinar a filosofar?
Em primeiro lugar, temos de estudar os filósofos no contexto em que viveram. Nietzsche, por exemplo, é homem de seu tempo, do romantismo alemão; Marx surgiu no contexto da revolução industrial; Hegel, Fichte e Schiller são figuras do idealismo alemão, que foi influenciado por Kant e Goethe; Kant, por sua vez, foi influenciado pelos racionalistas e empiristas: Descartes, Spinoza, Hume, Leibniz; o racionalismo foi uma consequência do humanismo renascentista, que resgatou a cultura clássica greco-romana; mas mesmo nas trevas da Idade Média, os escolásticos preservaram a filosofia de Platão e Aristóteles, ainda que tentando adaptá-la aos dogmas cristãos; e na Grécia antiga, como sabemos, surgiu o que chamamos de filosofia.
A filosofia voltou a fazer parte do currículo do ensino médio. Mas para que servirá? Talvez para doutrinar nossos estudantes com ideias pseudomarxistas retrógadas. Ou nossos estudantes terão apenas um “panorama” dos principais filósofos?
Kant já disse que não se ensina filosofia, mas a filosofar. Mas o que é ensinar a filosofar?
Em primeiro lugar, temos de estudar os filósofos no contexto em que viveram. Nietzsche, por exemplo, é homem de seu tempo, do romantismo alemão; Marx surgiu no contexto da revolução industrial; Hegel, Fichte e Schiller são figuras do idealismo alemão, que foi influenciado por Kant e Goethe; Kant, por sua vez, foi influenciado pelos racionalistas e empiristas: Descartes, Spinoza, Hume, Leibniz; o racionalismo foi uma consequência do humanismo renascentista, que resgatou a cultura clássica greco-romana; mas mesmo nas trevas da Idade Média, os escolásticos preservaram a filosofia de Platão e Aristóteles, ainda que tentando adaptá-la aos dogmas cristãos; e na Grécia antiga, como sabemos, surgiu o que chamamos de filosofia.
domingo, janeiro 15, 2012
Édipo tirano, Édipo Freud: humanismo e cultura
Por José Hailton Santos
O texto em questão é uma tentativa de elucidar duas indagações ligadas ao contexto da tragédia Édipo Tirano de Sófocles: em primeiro lugar, trata-se de saber até que ponto a hermenêutica poderá nos conduzir a uma efetiva compreensão da tragédia. Em segundo, da relação do mito com a cultura contemporânea.
No mundo contemporâneo a tragédia se apresenta por duas vertentes principais: como abordagem das ciências humanas e diretamente no seio da cultura. Como exemplo da primeira o estereótipo complexo de Édipo freudiano; como exemplo da segunda o drama vivido pelo casal Celso Pitta e Nicéa Pitta no começo dos anos 2000.
Em suas diferentes versões históricas, reelaborado com outras formas e funções, o mito passa a nos revelar algo que transcende o próprio teor histórico e cultural da época. Assim, trazê-lo para o âmbito do conhecimento como busca da origem é excluir uma de suas principais características, a saber, seu caráter mimético (no sentido aristotélico) de fazer transformar o espírito do leitor/espectador, seja pela piedade seja pelo terror.
Foi o que aconteceu com o chamado Complexo de Édipo freudiano. Devido à popularidade da psicanálise, o mito de Édipo tornou-se uma das grandes referências do século XX. No entanto, a difusão social desse mito, tal como mediado pela leitura da psicanálise, fez surgir um novo Édipo, o qual é descrito por um complexo simbólico e patológico que incide sobre as identidades individuais e coletivas. Nesse sentido, a tragédia perde seu valor semântico, pois, de antemão a psicanálise estuda a origem.
O texto em questão é uma tentativa de elucidar duas indagações ligadas ao contexto da tragédia Édipo Tirano de Sófocles: em primeiro lugar, trata-se de saber até que ponto a hermenêutica poderá nos conduzir a uma efetiva compreensão da tragédia. Em segundo, da relação do mito com a cultura contemporânea.
No mundo contemporâneo a tragédia se apresenta por duas vertentes principais: como abordagem das ciências humanas e diretamente no seio da cultura. Como exemplo da primeira o estereótipo complexo de Édipo freudiano; como exemplo da segunda o drama vivido pelo casal Celso Pitta e Nicéa Pitta no começo dos anos 2000.
Em suas diferentes versões históricas, reelaborado com outras formas e funções, o mito passa a nos revelar algo que transcende o próprio teor histórico e cultural da época. Assim, trazê-lo para o âmbito do conhecimento como busca da origem é excluir uma de suas principais características, a saber, seu caráter mimético (no sentido aristotélico) de fazer transformar o espírito do leitor/espectador, seja pela piedade seja pelo terror.
Foi o que aconteceu com o chamado Complexo de Édipo freudiano. Devido à popularidade da psicanálise, o mito de Édipo tornou-se uma das grandes referências do século XX. No entanto, a difusão social desse mito, tal como mediado pela leitura da psicanálise, fez surgir um novo Édipo, o qual é descrito por um complexo simbólico e patológico que incide sobre as identidades individuais e coletivas. Nesse sentido, a tragédia perde seu valor semântico, pois, de antemão a psicanálise estuda a origem.
O futuro da humanidade
Por Nelson José de Camargo*
A espiritualidade é inerente ao ser humano? Pode-se afirmar que sim, considerando que a maioria das pessoas tem necessidade de pertencer a um "rebanho" e de ter um "pastor" para guiá-las. O super-homem de Nietzsche é justamente o indivíduo que conseguiu se libertar da culpa judaico-cristã, que não precisa mais de um "pastor", e foi além do homem. Não é mais um indivíduo tolhido pelo pecado e pela culpa, mas sim livre para desfrutar da vida em sua plenitude.
O termo que Nietzsche usou, traduzido em português como super-homem, é Übermensch: über significa sobre, além, e Mensch é homem; logo, o super-homem nietzschiano é literalmente o indivíduo que "superou o homem", e não alguém dotado de “superpoderes”.
Hobbes diz que o "homem é o lobo do homem", e que para permitir uma vida em sociedade minimamente digna foi necessário criar o Estado, com todas as suas implicações positivas e negativas. Já Rousseau afirma que "o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe".
A espiritualidade é inerente ao ser humano? Pode-se afirmar que sim, considerando que a maioria das pessoas tem necessidade de pertencer a um "rebanho" e de ter um "pastor" para guiá-las. O super-homem de Nietzsche é justamente o indivíduo que conseguiu se libertar da culpa judaico-cristã, que não precisa mais de um "pastor", e foi além do homem. Não é mais um indivíduo tolhido pelo pecado e pela culpa, mas sim livre para desfrutar da vida em sua plenitude.
O termo que Nietzsche usou, traduzido em português como super-homem, é Übermensch: über significa sobre, além, e Mensch é homem; logo, o super-homem nietzschiano é literalmente o indivíduo que "superou o homem", e não alguém dotado de “superpoderes”.
Hobbes diz que o "homem é o lobo do homem", e que para permitir uma vida em sociedade minimamente digna foi necessário criar o Estado, com todas as suas implicações positivas e negativas. Já Rousseau afirma que "o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe".
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