Por Nelson José de Camargo*
A espiritualidade é inerente ao ser humano? Pode-se afirmar que sim, considerando que a maioria das pessoas tem necessidade de pertencer a um "rebanho" e de ter um "pastor" para guiá-las. O super-homem de Nietzsche é justamente o indivíduo que conseguiu se libertar da culpa judaico-cristã, que não precisa mais de um "pastor", e foi além do homem. Não é mais um indivíduo tolhido pelo pecado e pela culpa, mas sim livre para desfrutar da vida em sua plenitude.
O termo que Nietzsche usou, traduzido em português como super-homem, é Übermensch: über significa sobre, além, e Mensch é homem; logo, o super-homem nietzschiano é literalmente o indivíduo que "superou o homem", e não alguém dotado de “superpoderes”.
Hobbes diz que o "homem é o lobo do homem", e que para permitir uma vida em sociedade minimamente digna foi necessário criar o Estado, com todas as suas implicações positivas e negativas. Já Rousseau afirma que "o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe".
domingo, janeiro 15, 2012
sábado, outubro 01, 2011
A natureza das coisas. A natureza dos homens
Por Luiz Carlos dos Santos*
Pode se libertar as coisas de leis externas ou acidentais, mas não das leis da sua própria natureza. Você pode, se quiser, libertar um tigre da jaula; mas não pode libertá-lo de suas listras. Não liberte o camelo do fardo de sua corcova: você o estaria libertando de ser um camelo. Não saia por aí feito um demagogo, estimulando triângulos a libertar-se da prisão de seus três lados. Se um triângulo se libertar de seus três lados, sua vida chega a um desfecho lamentável. (Chesterton)
Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo. (Voltaire).
Recorro as idéias de dois grandes pensadores, o ingles G.K. Chesterton, e o francês François-Marie Arouet (Voltaire), para divagar sobre a maldade endêmica que campeia nesse mundo, mais de perto a grande praga que assola a humanidade, a corrupção, que condena o pobre a mais pobreza, que semeia a fome e as iniquidades.
Caixa dois, mensalão, meias, cuecas, superfaturamento, propina, enrequecimento ilícito, não preciso recorrer a Bertolt Brechet para afirmar que o mundo seria outro sem o flagelo da raça humana, sem o câncer que campeia sem freios entre os humanos, principalmente entre os dirigentes e funcionários pagos para gerenciar os bens públicos.
Dessa forma, embora não concordando plenamente com as palavras de Chesterton mas, usando a máxima de Voltaire, tento compreender, embora sem aceitar, que a natureza das coisas às vezes se aplica a natureza dos homens. Não acreditando que já nascemos pré determinados, mais parece que a natureza da corrupção se agrega ao corrupto e ao corruptor, fazendo com que estes não se libertem jamais desse fardo. Por conseguinte, não adianta simplesmente perdoa-los, ou faze-los pagar pelo mau cometido contra o povo e depois, torná-los novamente gestores da coisa pública.
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| Guernica - Quadro de Pablo Picasso |
Pode se libertar as coisas de leis externas ou acidentais, mas não das leis da sua própria natureza. Você pode, se quiser, libertar um tigre da jaula; mas não pode libertá-lo de suas listras. Não liberte o camelo do fardo de sua corcova: você o estaria libertando de ser um camelo. Não saia por aí feito um demagogo, estimulando triângulos a libertar-se da prisão de seus três lados. Se um triângulo se libertar de seus três lados, sua vida chega a um desfecho lamentável. (Chesterton)
Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo. (Voltaire).
Recorro as idéias de dois grandes pensadores, o ingles G.K. Chesterton, e o francês François-Marie Arouet (Voltaire), para divagar sobre a maldade endêmica que campeia nesse mundo, mais de perto a grande praga que assola a humanidade, a corrupção, que condena o pobre a mais pobreza, que semeia a fome e as iniquidades.
Caixa dois, mensalão, meias, cuecas, superfaturamento, propina, enrequecimento ilícito, não preciso recorrer a Bertolt Brechet para afirmar que o mundo seria outro sem o flagelo da raça humana, sem o câncer que campeia sem freios entre os humanos, principalmente entre os dirigentes e funcionários pagos para gerenciar os bens públicos.
Dessa forma, embora não concordando plenamente com as palavras de Chesterton mas, usando a máxima de Voltaire, tento compreender, embora sem aceitar, que a natureza das coisas às vezes se aplica a natureza dos homens. Não acreditando que já nascemos pré determinados, mais parece que a natureza da corrupção se agrega ao corrupto e ao corruptor, fazendo com que estes não se libertem jamais desse fardo. Por conseguinte, não adianta simplesmente perdoa-los, ou faze-los pagar pelo mau cometido contra o povo e depois, torná-los novamente gestores da coisa pública.
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Finitude da vida, filosofia e o viver no “Sobre a brevidade da vida” de Sêneca
Por Rodrigo Tumolo*
Clique aqui para ouvir
Pretendo apresentar nesta exposição a obra “Sobre a brevidade da vida” do filósofo estoico Sêneca: explorar a partir dela o tema da finitude da vida, o que essas reflexões podem ajudar no viver e qual a relação da filosofia implicada nisso. Ao mesmo tempo, espero fazer uma defesa de Sêneca como filósofo, afastando sua má-interpretação como escritor de “autoajuda”.
Primeiramente, creio ser oportuno começar respondendo à pergunta: quem foi Sêneca. Lúcio Aneu Sêneca foi não só um importante filósofo romano como também foi um rico escritor de tragédias e influente político no Império Romano. Sêneca não é romano de sangue e sim um espanhol da região de Córdoba que tinha a cidadania romana, pois seu pai era um cavaleiro muito rico da região e simpático ao Império Romano. Desde muito jovem tomou contato com a filosofia a ponto de ser convertido a ela: seu pai, ao matriculá-lo com os melhores oradores de Roma, esperava formar um retórico para uma brilhante carreira política, mas Sêneca saiu-se um filósofo. É preciso explicar que Roma ocupava o lugar que Atenas ocupara séculos antes: de centro cultural e político do mundo, palco dos grandes debates e para onde convergiam os sábios da época — sábios que, em sua maioria, falavam grego! De fato, Roma foi a grande difusora do helenismo na Antiguidade: toda pessoa de origem nobre falava não apenas o latim, mas sabia expressar-se fluentemente em grego. Sêneca teve aulas com Atalo, um mestre grego estoico que o converteu para a filosofia.
Ora, já duas vezes usei o termo “conversão” para me referir à filosofia e não foi
à toa: Paul Veyne, em seu livro “Séneca y el estoicismo”, segue na direção que as filosofias antigas eram como seitas. Acompanhando sua exposição, os filósofos em Roma formavam uma espécie de “clero laico” e, diante da permissão pública de adoração dos imperadores mortos e a autoproclamação de Calígula como deus, não é difícil concluir que os filósofos formavam a oposição dentro do Senado.
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Pretendo apresentar nesta exposição a obra “Sobre a brevidade da vida” do filósofo estoico Sêneca: explorar a partir dela o tema da finitude da vida, o que essas reflexões podem ajudar no viver e qual a relação da filosofia implicada nisso. Ao mesmo tempo, espero fazer uma defesa de Sêneca como filósofo, afastando sua má-interpretação como escritor de “autoajuda”.
Primeiramente, creio ser oportuno começar respondendo à pergunta: quem foi Sêneca. Lúcio Aneu Sêneca foi não só um importante filósofo romano como também foi um rico escritor de tragédias e influente político no Império Romano. Sêneca não é romano de sangue e sim um espanhol da região de Córdoba que tinha a cidadania romana, pois seu pai era um cavaleiro muito rico da região e simpático ao Império Romano. Desde muito jovem tomou contato com a filosofia a ponto de ser convertido a ela: seu pai, ao matriculá-lo com os melhores oradores de Roma, esperava formar um retórico para uma brilhante carreira política, mas Sêneca saiu-se um filósofo. É preciso explicar que Roma ocupava o lugar que Atenas ocupara séculos antes: de centro cultural e político do mundo, palco dos grandes debates e para onde convergiam os sábios da época — sábios que, em sua maioria, falavam grego! De fato, Roma foi a grande difusora do helenismo na Antiguidade: toda pessoa de origem nobre falava não apenas o latim, mas sabia expressar-se fluentemente em grego. Sêneca teve aulas com Atalo, um mestre grego estoico que o converteu para a filosofia.
Ora, já duas vezes usei o termo “conversão” para me referir à filosofia e não foi
à toa: Paul Veyne, em seu livro “Séneca y el estoicismo”, segue na direção que as filosofias antigas eram como seitas. Acompanhando sua exposição, os filósofos em Roma formavam uma espécie de “clero laico” e, diante da permissão pública de adoração dos imperadores mortos e a autoproclamação de Calígula como deus, não é difícil concluir que os filósofos formavam a oposição dentro do Senado.
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sábado, setembro 03, 2011
Para que serve a política?
Por Nelson José de Camargo*
Numerosas denúncias de corrupção têm sido veiculadas por parte da mídia, a maioria delas referente ao atual governo federal. “A corrupção no Brasil atingiu níveis alarmantes e inimagináveis”, é a constatação de alguns setores da sociedade. Não é difícil prever que as próximas campanhas eleitorais serão marcadas por um “combate a tudo o que aí está”.
Esse discurso não é novidade na política brasileira. Foi adotado pela oposição a Vargas nos anos 50; e foi o mote da campanha de Jânio Quadros em 1960, quando a “vassoura janista” iria varrer a “corrupção que grassava no país.”
Em tempos mais recentes, o discurso de combate aos privilégios de funcionários públicos que receberiam benesses do Estado, os assim chamados “marajás”, norteou a campanha de Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito depois do período militar e que foi, ironicamente, apeado do poder em razão de denúncias de que comandada um grande esquema de corrupção.
Numerosas denúncias de corrupção têm sido veiculadas por parte da mídia, a maioria delas referente ao atual governo federal. “A corrupção no Brasil atingiu níveis alarmantes e inimagináveis”, é a constatação de alguns setores da sociedade. Não é difícil prever que as próximas campanhas eleitorais serão marcadas por um “combate a tudo o que aí está”.
Esse discurso não é novidade na política brasileira. Foi adotado pela oposição a Vargas nos anos 50; e foi o mote da campanha de Jânio Quadros em 1960, quando a “vassoura janista” iria varrer a “corrupção que grassava no país.”
Em tempos mais recentes, o discurso de combate aos privilégios de funcionários públicos que receberiam benesses do Estado, os assim chamados “marajás”, norteou a campanha de Fernando Collor de Mello, primeiro presidente eleito depois do período militar e que foi, ironicamente, apeado do poder em razão de denúncias de que comandada um grande esquema de corrupção.
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domingo, julho 17, 2011
A filosofia de Nietzsche e o nazismo
Por Nelson José de Camargo*
Nietzsche é certamente o filósofo mais popular e mais lido do mundo; seus livros são vendidos em bancas de jornal, em máquinas automáticas e até mesmo adaptados para histórias em quadrinhos; o Zaratustra inspirou o célebre poema sinfônico de Richard Strauss, trilha sonora do filme 2001, de Stanley Kubrick.
Mas a influência da filosofia de Nietzsche (e da filosofia de modo geral) nem sempre (ou quase nunca) foi positiva. O pensamento nietzschiano chegou a influenciar o regime político mais nefasto e abominável que já existiu no planeta: o nazismo.
Adolf Hitler era leitor de Nietzsche: na biblioteca particular do ditador, havia vários livros do pensador alemão, com muitas anotações nas margens das páginas. A mais frequente era “nicht verstanden” (não entendi).
Hitler era um homem de pouco estudo e pouca cultura, que tentou ser pintor acadêmico antes de começar sua carreira política. Seu livro Mein Kampf (Minha luta), é escrito em um alemão tosco, que demonstra claramente a deficiente formação cultural do líder nazista.
No entanto, Martin Heidegger, um dos grandes filósofos do século XX, aderiu publicamente ao nazismo e chegou a fazer discursos elogiando esse regime.
O “protonazismo” de Nietzsche é uma questão altamente controversa. Em Além do bem e do mal, o filósofo escreve que “os judeus são a raça mais autêntica e vigorosa da Europa”, e no mesmo livro afirma que eles são um povo “nascido para a escravidão [...] e com ele todo o mundo antigo, o ‘povo eleito entre as nações’ [...] os judeus realizaram esse milagre da inversão de valores, graças ao qual a vida na terra adquiriu um novo e perigoso atrativo”.
É fato amplamente conhecido que Nietzsche era crítico feroz da democracia representativa ocidental, que para ele era apenas reflexo da “moral de animal de rebanho”[1].
O conceito do super-homem nietzschiano também deu margem a atitudes racistas e eugenistas. Frases como “Os fracos e os fracassados devem desaparecer: primeira frase de nosso amor à humanidade”, ou “O que é mais prejudicial do que qualquer vício? A compaixão com todos os fracos e fracassados – o cristianismo”[2] podem facilmente servir de “combustível” para ideologias totalitárias.
Nietzsche é certamente o filósofo mais popular e mais lido do mundo; seus livros são vendidos em bancas de jornal, em máquinas automáticas e até mesmo adaptados para histórias em quadrinhos; o Zaratustra inspirou o célebre poema sinfônico de Richard Strauss, trilha sonora do filme 2001, de Stanley Kubrick.
Mas a influência da filosofia de Nietzsche (e da filosofia de modo geral) nem sempre (ou quase nunca) foi positiva. O pensamento nietzschiano chegou a influenciar o regime político mais nefasto e abominável que já existiu no planeta: o nazismo.
Adolf Hitler era leitor de Nietzsche: na biblioteca particular do ditador, havia vários livros do pensador alemão, com muitas anotações nas margens das páginas. A mais frequente era “nicht verstanden” (não entendi).
Hitler era um homem de pouco estudo e pouca cultura, que tentou ser pintor acadêmico antes de começar sua carreira política. Seu livro Mein Kampf (Minha luta), é escrito em um alemão tosco, que demonstra claramente a deficiente formação cultural do líder nazista.
No entanto, Martin Heidegger, um dos grandes filósofos do século XX, aderiu publicamente ao nazismo e chegou a fazer discursos elogiando esse regime.
O “protonazismo” de Nietzsche é uma questão altamente controversa. Em Além do bem e do mal, o filósofo escreve que “os judeus são a raça mais autêntica e vigorosa da Europa”, e no mesmo livro afirma que eles são um povo “nascido para a escravidão [...] e com ele todo o mundo antigo, o ‘povo eleito entre as nações’ [...] os judeus realizaram esse milagre da inversão de valores, graças ao qual a vida na terra adquiriu um novo e perigoso atrativo”.
É fato amplamente conhecido que Nietzsche era crítico feroz da democracia representativa ocidental, que para ele era apenas reflexo da “moral de animal de rebanho”[1].
O conceito do super-homem nietzschiano também deu margem a atitudes racistas e eugenistas. Frases como “Os fracos e os fracassados devem desaparecer: primeira frase de nosso amor à humanidade”, ou “O que é mais prejudicial do que qualquer vício? A compaixão com todos os fracos e fracassados – o cristianismo”[2] podem facilmente servir de “combustível” para ideologias totalitárias.
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